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Projeto Aves Migratórias estreia sua participação na COP15 comampliação de diálogos a respeito das aves migratórias

Já pensou percorrer milhares de quilômetros, seja no céu, no mar e na terra, para sobreviver? Já pensou não conseguir voltar mais para seu habitat natural pelo simples fato dele não existir mais? Ou, já pensou se você deixa de existir? Essas problemáticas são enfrentadas diariamente por espécies que precisam migrar para continuarem vivas.


Painel Principal da COP15 | Foto: Claudia Riello / Acervo Aquasis
Painel Principal da COP15 | Foto: Claudia Riello / Acervo Aquasis

De acordo com o relatório Convention on the Conservation of Migratory Species of Wild Animals (CMS), produzido em 2024, existem pelo menos 1189 espécies migratórias reconhecidas internacionalmente. Contudo, durante a 15a Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, que ocorreu em março deste ano, atualizou esses dados. A COP15 ampliou a proteção de 40 espécies migratórias em todo o mundo, com inclusões de espécies nos Apêndices I e II da CMS, como o maçarico-de-bico-torto (Numenius phaeopus hudsonicus), espécie monitorada pelo Projeto Aves Migratórias (PAM), uma iniciativa da ONG Aquasis, em parceria da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.


O PAM, esteve presente na COP15, marcando presença na plenária, local onde as votações e decisões são tomadas, além de ter participado de mesas redondas com temáticas sobre o manguezal e aves migratórias.

“As discussões recentes no âmbito da COP15 indicam um avanço relevante na forma como a comunidade internacional tem abordado a conservação de espécies migratórias, especialmente aves. Entre os principais pontos, destaca-se o reconhecimento explícito de ameaças já amplamente documentadas pela literatura científica e por coletas de dados em campo”, afirma Gabriela Ramires, coordenadora de Políticas Públicas e Advocacy.

As aves migratórias realizam deslocamentos impressionantes ao longo do planeta, muitas vezes cruzando continentes inteiros: algumas percorrem milhares de quilômetros, todos os anos, entre áreas de reprodução, alimentação e descanso. No caso das aves migratórias, esses trajetos podem ligar regiões como o Ártico à América do Sul ou África, evidenciando uma dependência crítica de diferentes habitats ao longo das rotas. Essa capacidade de viajar longas distâncias, frequentemente atravessando fronteiras e oceanos, torna essas espécies especialmente vulneráveis a mudanças ambientais em qualquer ponto do caminho, reforçando a importância de ações internacionais coordenadas para sua conservação.


João Paulo Capobianco, Ministro Meio Ambiente e Presidente atual da Conferência das Partes e Diego Luna, especialista sênior em políticas e governança da ONG Manomet | Foto: Ueslei Marcelino
João Paulo Capobianco, Ministro Meio Ambiente e Presidente atual da Conferência das Partes e Diego Luna, especialista sênior em políticas e governança da ONG Manomet | Foto: Ueslei Marcelino
Como funcionam as COPs?

COP significa Conferência das Partes. É uma cúpula das Nações Unidas (ONU) que reúne, periodicamente, mais de 200 países e organizações, para decidir ações e metas relacionadas à preservação e conservação do meio ambiente. A temática deu início em 1992 com a Cúpula da Terra, também chamada de ECO-92 ou Rio-92, no Rio de Janeiro, onde foi um marco para o desenvolvimento sustentável. Esse encontro resultou na criação das conversações sobre a Biodiversidade, Desertificação e Mudanças Climáticas. O que seria o ponto inicial para a futuras Conferências das Partes.


As COPs não se referem a um único acordo, mas a diferentes convenções ambientais da ONU, sendo a mais conhecida a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), que trata especificamente da crise climática. Além dela, existem também a Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD) e a Convenção de Combate à Desertificação (UNCCD), cada uma com sua própria COP. Os números relacionados a cada edição, indica a quantidade de reuniões já realizadas dentro de cada convenção.


Para além dessas mencionadas anteriormente, existem outras COPs, como a Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), na qual foi criada para proteger espécies que atravessam fronteiras ao longo do ciclo de vida. E é aqui que entra a participação do Projeto Aves Migratórias.



PAM na COP15 e decisões a favor das aves migratórias

A participação do Projeto Aves Migratórias na COP15 marca um passo estratégico para inserir o trabalho desenvolvido no Norte e Nordeste do Brasil em uma agenda global de conservação das aves migratórias que dependem de diferentes territórios para sobreviver. Como destaca a coordenadora, “a presença na COP15 ajuda a integrar agendas, evitar lacunas de políticas e a aumentar o nível técnico da diplomacia”, ao apresentar soluções já testadas, como criação de unidades de conservação e instrumentos legais de proteção.


A atuação do PAM evidencia a importância das rotas migratórias do Atlântico, frequentemente menos visibilizadas nas políticas internacionais, mas essenciais para diversas espécies de aves. Ao levar essa pauta para a COP15, o projeto contribui para ampliar o olhar sobre regiões estratégicas e reforça a necessidade de cooperação entre países, consolidando a ideia de que a conservação de espécies migratórias depende, necessariamente, de uma articulação internacional coordenada.



As decisões mais recentes discutidas na COP15 indicam uma proteção maior para as aves migratórias, especialmente ao reforçar a necessidade de conservação ao longo de toda a rota migratória, e não apenas em pontos isolados. Destaca-se a atualização das listas de espécies protegidas (Apêndices I e II), que ampliam o nível de proteção internacional para espécies ameaçadas, além da criação de ações coordenadas entre países para enfrentar ameaças como perda de habitat, poluição e mudanças climáticas. Essas decisões seguem uma lógica baseada em evidências científicas e reforçam que a conservação dessas aves depende diretamente da cooperação entre nações ao longo das rotas migratórias.


Registro da Palestra - Rota que Conectam a Amazônia: Espécies Migratórias, Ciência e Gestão Territorial. Palestrantes:  Gabriela Ramires – Coord. Políticas Públicas e Advocacy (Projeto Aves Migratórias/Aquasis) / Paul Van Damme – South American River Dolphins Initiative (SARDI)/ Guillermo Estupiñán – Wildlife Conservation Society (WCS Brasil). Mediação: Palmira Ferreira | Foto: Claudia Riello / Acervo Aquasis
Registro da Palestra - Rota que Conectam a Amazônia: Espécies Migratórias, Ciência e Gestão Territorial. Palestrantes:  Gabriela Ramires – Coord. Políticas Públicas e Advocacy (Projeto Aves Migratórias/Aquasis) / Paul Van Damme – South American River Dolphins Initiative (SARDI)/ Guillermo Estupiñán – Wildlife Conservation Society (WCS Brasil). MediaçãoPalmira Ferreira | Foto: Claudia Riello / Acervo Aquasis

Outro avanço relevante é o fortalecimento de resoluções específicas para aves, como a proposta de um novo marco global voltado às rotas marinhas e aves oceânicas, consideradas algumas das mais ameaçadas do mundo. A COP também amplia o foco em temas estruturais, como conectividade ecológica e proteção de áreas de parada e alimentação, fundamentais para a sobrevivência dessas espécies. Ao mesmo tempo, as decisões reforçam a integração com agendas maiores de biodiversidade e clima, reconhecendo que pressões como pesca incidental, degradação ambiental e aquecimento global impactam diretamente as populações de aves migratórias. Ainda assim, especialistas apontam que o principal desafio permanece na implementação prática dessas decisões pelos países, já que muitas medidas ainda dependem de compromissos nacionais para se tornarem efetivas no território.


| Texto por Claudia Pimentel Riello - ASCOM Aquasis


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