Projeto Aves Migratórias apresenta pesquisas sobre conservação de aves costeiras no maior encontro de Ornitologia do Brasil
A equipe participa do XXX Congresso Brasileiro de Ornitologia, em São Luís (MA), com oito trabalhos que abordam migração, monitoramento, reprodução, conservação, políticas públicas e participação comunitária.

Entre os dias 20 a 24 de setembro, São Luís (MA) recebeu a 30ª edição do Congresso Brasileiro de Ornitologia (CBO), um dos principais encontros científicos do país dedicados ao estudo científico sobres aves. O evento reuniu pesquisadores, estudantes, profissionais, gestores ambientais e instituições que atuam em diferentes áreas da Ornitologia. Em 2026, o congresso tem como tema “A Ornitologia no Antropoceno: da história natural à revolução digital”, colocando em debate os impactos das transformações provocadas pelas atividades humanas sobre as aves e seus habitats.
Entre os participantes desta edição está a equipe do Projeto Aves Migratórias (PAM), desenvolvido pela Aquasis. O projeto é uma iniciativa que atua na conservação das aves migratórias e de seus habitats ao longo da costa brasileira, desenvolvendo ações de pesquisa científica, monitoramento, educação socioambiental, fortalecimento comunitário e apoio a políticas públicas, promovendo a proteção da biodiversidade e o uso sustentável dos ecossistemas costeiros.
A participação no CBO representa uma oportunidade para apresentar resultados produzidos pelo projeto e, ao mesmo tempo, estabelecer conexões com pesquisadores e instituições que atuam na conservação das aves no Brasil. Ao todo, oito trabalhos relacionados às pesquisas e frentes de atuação da equipe estão presentes na programação do congresso, incluindo apresentações orais, pôster e a participação em um simpósio dedicado especificamente às aves migratórias em áreas prioritárias do litoral equatorial brasileiro.
As apresentações do PAM
Os trabalhos apresentados no congresso mostram a amplitude das pesquisas desenvolvidas pela equipe e seus parceiros.
Gabriela Ramires, coordenadora de Políticas Públicas e Advocacy trouxe uma análise sobre aves migratórias em Planos de Manejo de Unidades de Conservação na margem equatorial. Segundo Gabriela: “Este é um estudo pioneiro nesta área de abrangência que como resultado comprova a necessidade de um aumento de conservação quando quase metade das UCs são mais permissivas à impactos e das 37 unidades analisadas apenas 8 apresentam ações específicas de conservação”.
Tamiris Lima, técnica de monitoramento do PAM, apresenta uma análise sobre a composição e complementaridade de aves costeiras em dois sítios da rota migratória atlântica no Nordeste brasileiro, contribuindo para compreender como diferentes áreas utilizadas pelas aves se complementam ao longo da rota.
Victoria Reis de Souza, técnica de monitoramento do PAM, apresentou resultados de cinco anos de monitoramento reprodutivo de Batuíra-bicuda (Anarhynchus wilsonia) e Piru-piru (Haematopus palliatus) no sítio WHSRN Banco dos Cajuais, avaliando o sucesso e as perdas de ninhos para identificar fatores que interferem no sucesso reprodutivo das espécies e subsidiar estratégias de conservação.

Onofre Monteiro, coordenador de Monitoramento e Pesquisa, aborda a Margem Equatorial brasileira como área-chave para aves limícolas, reforçando a importância de compreender e proteger os diferentes ambientes utilizados por essas espécies ao longo de suas jornadas migratórias.
“A Margem Equatorial brasileira tem um papel fundamental para as aves limícolas, que utilizam esses ambientes para alimentação e descanso durante suas migrações. Conhecer melhor essas áreas é essencial para fortalecer ações de conservação e mostrar a importância de proteger esses territórios”, afirma Onofre.
Já Yara Bezerra, técnica de Políticas Públicas e Advocacy, leva ao congresso uma discussão sobre governança costeira e as ameaças aos habitats de Anarhinchus wilsonia em Icapuí, aproximando a pesquisa ecológica das questões relacionadas à gestão do território e às políticas públicas.
Olga Lisboa, coordenadora de Educação Socioambiental do PAM, apresenta, em formato de pôster, o trabalho sobre o I Festival das Gaivotas, realizado no Pecém (CE), discutindo a celebração cultural como prática de conservação socioambiental, mostrando que a proteção da biodiversidade também pode acontecer por meio do envolvimento das comunidades e da valorização dos territórios.

Também integra a programação Rafael Becker, analista de planejamento e orçamento do PAM, com uma pesquisa sobre a homogeneização biótica da avifauna da Caatinga, investigando como distúrbios provocados pelas atividades humanas podem alterar as comunidades de aves.
Por fim, Jason Mobley, coordenador geral do PAM, apresenta o trabalho sobre a conectividade migratória revelada pelos registros de bandeirolas no Banco dos Cajuais, trazendo para o congresso dados que ajudam a visualizar a conexão entre diferentes pontos utilizados pelas aves ao longo de suas rotas.
“Os registros de bandeirolas nos ajudam a entender a conexão entre o Banco dos Cajuais e outros pontos utilizados pelas aves ao longo da rota migratória. É um trabalho que reforça a importância do monitoramento contínuo e da conservação desses sítios para garantir a sobrevivência das aves migratórias”, ressalta Jason.

Por que a participação no CBO é relevante?
A presença do PAM no CBO também evidencia uma característica importante do projeto: a produção científica está diretamente ligada à conservação. O PAM mantém ações regulares ao longo da Margem Equatorial brasileira (Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte) buscando compreender a utilização dos sítios de descanso e alimentação, a disponibilidade de recursos e as ameaças provocadas pelas atividades humanas. Esses dados contribuem para estratégias de conservação e para o planejamento de políticas públicas.
É a partir dessa trajetória de pesquisa e conservação que o PAM chega ao Congresso Brasileiro de Ornitologia, levando resultados produzidos para um dos principais espaços de discussão sobre aves no país. A participação também fortalece o intercâmbio científico e contribui para ampliar o conhecimento sobre a Margem Equatorial brasileira e para a construção de estratégias de conservação das aves migratórias cada vez mais efetivas. A ciência e a pesquisa são fundamentais para compreender os desafios que ameaçam a biodiversidade, orientar estratégias de mitigação dos impactos ambientais e subsidiar ações efetivas de conservação das espécies e dos ecossistemas.
Texto por Claudia Pimentel Riello
Núcleo de Comunicação Aquasis - NUCA



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