Aquasis homenageia sócia-fundadora Cristine Negrão e rebatiza Centro de Visitantes em reconhecimento ao seu legado
Após mais de três décadas dedicadas à conservação da biodiversidade, bióloga encerra ciclo profissional na instituição e deixa seu nome marcado na história da organização.

Na última terça-feira (25), a Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis) viveu um momento de emoção, reconhecimento e celebração. Em sua sede, no Sesc Iparana, em Caucaia (CE), a instituição realizou uma cerimônia de despedida e homenagem à bióloga Cristine Pereira Negrão Silva, a Cris, sócia-fundadora que encerra, em 2026, um ciclo de mais de três décadas de atuação direta na organização.
Como parte da homenagem, o Centro de Visitantes da sede da Aquasis passou a se chamar Centro de Visitantes Cristine Negrão, como reconhecimento à trajetória de uma das pessoas fundamentais para a construção da instituição e para a consolidação de iniciativas de conservação da fauna marinha e costeira no Ceará e no Brasil.
O momento reuniu integrantes da diretoria, colaboradores e pessoas que fizeram parte da trajetória de Cris na Aquasis. Entre falas marcadas pela emoção, foram lembradas não apenas sua atuação como bióloga e conservacionista, mas também sua capacidade de inspirar, formar profissionais, mobilizar pessoas e transformar desafios em caminhos possíveis.

Nascida em Fortaleza, em 1972, Cristine cresceu cercada pelo interesse pelo mar e pelos animais. Ainda criança, encontrou nos documentários do oceanógrafo francês Jacques Cousteau uma de suas primeiras referências. Em 1991, ingressou no curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Ceará (UFC), onde conciliou a graduação com atividades de conservação e atendimentos a encalhes de mamíferos marinhos, formando-se em 2000.
Sua história com a Aquasis, porém, começou ainda antes da conclusão da graduação. Em 1994, Cristine tornou-se uma das sócias-fundadoras da instituição, sendo atualmente a fundadora com maior tempo de vínculo direto com a organização.
Nos primeiros anos da Aquasis, quando a estrutura ainda era limitada e os recursos eram escassos, Cris teve papel fundamental para garantir a continuidade das atividades. Com recursos próprios, mobilização de pessoas e muita persistência, ajudou a criar condições para que projetos e ações de conservação pudessem seguir adiante.
Ao longo de sua trajetória, participou da criação e consolidação do Grupo de Estudos de Cetáceos do Ceará (GECC) e coordenou o Programa de Mamíferos Marinhos entre 2001 e 2007. Também exerceu os cargos de presidente e vice-presidente da Aquasis e, nos anos mais recentes, dedicou-se ao Desenvolvimento Institucional.
Sua atuação esteve diretamente ligada a momentos importantes da conservação de mamíferos aquáticos no Ceará e no Brasil. Ao longo de décadas, participou de inúmeros resgates e atendimentos a peixes-bois-marinhos, cetáceos e tartarugas marinhas, além de contribuir para iniciativas pioneiras, como os primeiros sobrevoos realizados para o censo de peixe-boi-marinho no Brasil e a implantação do Programa de Monitoramento de Sirênios (PMS).
Cris também representou a Aquasis em fóruns nacionais, redes de encalhes, conselhos de unidades de conservação e processos relacionados aos Planos de Ação Nacional voltados à conservação dos mamíferos aquáticos.
Uma história construída junto às comunidades
Entre os lugares que marcaram sua trajetória está Icapuí, no litoral leste do Ceará, reconhecido como um dos importantes redutos do peixe-boi-marinho no Nordeste. Foi ali que Cris desenvolveu uma relação próxima com moradores e comunidades costeiras, construindo vínculos de amizade e confiança que ultrapassaram os limites da atuação profissional.
Sua presença no território também foi marcada pela proximidade com as pessoas. Ao longo dos anos, criou relações tão fortes que chegou a se tornar madrinha de crianças da comunidade.
Em 2019, foi uma das idealizadoras e participou da implantação do primeiro recinto de aclimatação de peixes-bois-marinhos do Ceará, na Praia de Peroba. A estrutura se tornou uma importante ferramenta para o processo de reabilitação e retorno desses animais à natureza.
Para além das iniciativas técnicas e científicas, a trajetória de Cris é também marcada pelas pessoas que passaram por sua vida profissional.
Ao longo de mais de 30 anos, a bióloga foi mentora e inspiração para gerações de profissionais que hoje seguem atuando na pesquisa, no manejo e na conservação da biodiversidade. Seus ensinamentos e valores permanecem presentes no trabalho de pessoas que ajudou a formar e nas iniciativas que ajudou a construir.
Um nome que permanece
A escolha do nome Centro de Visitantes Cristine Negrão representa, para a Aquasis, mais do que uma homenagem à trajetória profissional de sua sócia-fundadora. O espaço, destinado ao encontro, à educação e à aproximação das pessoas com a natureza, passa a carregar simbolicamente os valores que marcaram sua trajetóEqioeria.

Ao celebrar a história de Cris, a Aquasis também celebra parte de sua própria história. A instituição que ajudou a fundar há mais de três décadas cresceu, ampliou sua atuação e hoje reúne diferentes projetos, profissionais, parceiros e comunidades em torno da conservação da biodiversidade.
A despedida, portanto, não representa o fim de uma história, mas a passagem para um novo capítulo. Cristine Negrão segue para novos caminhos, enquanto seu legado permanece vivo na Aquasis, nas pessoas que compartilham seus ensinamentos, nas comunidades com as quais construiu vínculos e, agora, em um espaço que levará seu nome.
O Centro de Visitantes Cristine Negrão passa a ser, assim, parte viva dessa trajetória: um lugar de encontro, aprendizado e conexão entre pessoas e natureza — valores que acompanham a história da Aquasis e que também ajudaram a definir a trajetória de Cris.



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